domingo, 27 de março de 2011

show de fraldas Kuririn + Lilli = Luiza

origem das ciências humanas (em 44s)

Assim expliquei a Monsieur Casmurro a origem das ciências humanas em 44 segundos durante uma aula de filosofia das ciências humanas no ano passado.
Vocês vizinhos já estiveram familiarizados com a teoria (e com as benesses) do Semi-Deus Réptil em 2010; agora é outono momento de louvar ao Deus-Cavalo On/Off(re).
LOUVEM! e aguardem.

sábado, 5 de março de 2011

copo magic

Crazy Daisy tem um copo magic para pessoas sexualmente indecisas. Usando-o do jeito certo, é possível variar o gênero do seu parceiro de acordo com seu humor.

Você só precisará de um pouco de vinho tinto seco. Após tomar o primeiro gole, diga:
"Oh grande Dionísio, faça reinar o caos!"

Quando sua versão caótica em gênero inverso aparecer à sua frente, ofereça-lhe o resto do vinho.

... e está feita a magic do copo.

all hail the Cow King






in His kingdom of loss
across the whole Hell
the Cow King awaits.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Poesia traduzida: "Falha" de Philip Schultz


Falha - Philip Schultz


Para pagar o funeral de meu pai
Eu tomei dinheiro de pessoas que
Ele já havia pegado dinheiro emprestado
Alguém disse: - Ele era um ninguém.
Eu disse: - Não, ele era uma falha.
Você não se lembra
Do nome de um ninguém, esta ai a razão
Porque chamamos os de ninguém.
Falhas são inapagáveis.
O rabino leu a elegia mortuária
Sobre um homem que não seguia nada
Ou não acreditava em coisa alguma
Era ambos sobre uma falha e um ninguém.
Ele falhou em imaginar o filho
E a mulher do homem morto
Sendo coberto de vergonha por cada palavra
Entender que nada
Acreditar ou seguir, demanda
Um tipo de fé e preenchimento.
Um tio, contando nos dedos
Os negócios falidos de meu pai –
Um parque de diversões para debiloides,
Um motel para lua-de-mel ganhas no bingo,
Um boliche com cantores mariates –
Falhou em amar e honrar seu irmão
Que o mostrou como assoviar
Com papel de bala, e com os dedos de
sua mão esquerda e direita. Ainda,
Meu pai era cômico.
Com seu olhar apertado, ele esfalfava-se
Sobre seus ruídos afunilados e roncos
Altos movimentados, onde
Seu cansaço por fim  
o vencia. Ele não acreditava em:
jornais com apólices de seguro,
vegetarianismo ou maldade humana
histórias moralizantes ou Deus.
Nossa família nos alertou,
Uma fumaça de angustia, deixei a cidade
Mas falhei em ir embora.

Philip Schultz é um poeta americano contemporâneo. Leia o original que é bem diferente (decidi fazer uma tradução bem "livre" - isto é, sem vergonha). Leia outra poesia de Schultz, magnifica, "Why". Fica o post para trazer uma palavra de esperança e otimismo para as férias familiares do pessoal.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rosa Negra e a serpente

"O livro Contos para crianças, publicado no Brasil em 1912 e na Inglaterra em 1937, contém uma série de histórias cujo tema central é muitas vezes o mesmo: como uma pessoa negra pode tornar-se branca. Esse é, também, o núcleo narrativo do conto 'A princesa negrina'. Na história - que parece um misto de 'Bela Adormecida', 'A Bela e a Fera' e 'Branca de Neve', tudo isso aliado a narrativas bíblicas nos trópicos -, um bondoso casal real lamentava-se de sua má sorte: depois de muitos anos de matrimônio Suas Majestades ainda não haviam sido presenteados com a vinda de um herdeiro. No entanto, como recompensa por suas boas ações - afinal, nos contos de fadas os reis e cônjuges legítimos são sempre generosos -, o casal tem a oportunidade de fazer um último pedido à fada-madrinha. É a rainha que, comovida, exclama: 'Oh! Como eu gostaria de ter uma filha, mesmo que fosse escura como a noite que reina lá fora'. O pedido continha uma metáfora, mas foi atendido de forma literal, pois nasceu uma criança 'preta como o carvão'. E a figura do bebê escuro causou tal 'comoção' em todo reino, que a fada não teve outro remédio senão alterar sua primeira dádiva: não podendo mudar 'a cor preta na mimosa cor de leite', prometeu que, se a menina permanecesse no castelo até seu aniversário de dezesseis anos, teria sua cor subitamente transformada 'na cor branca que seus pais tanto almejavam'. Contudo, se desobedecessem à ordem, a profecia não se realizaria e o futuro dela não seria negro só na cor. Dessa maneira, Rosa Negra cresceu sendo descrita pelos poucos serviçais que com ela conviviam como 'terrivelmente preta' mas, 'a despeito dessa falta, imensamente bela'. Um dia, porém, a pequena princesa negra, isolada em seu palácio, foi tentada por uma serpente, que a convidou a sair pelo mundo. Inocente, e desconhecendo a promessa de seus pais, Rosa Negra deixou o palácio e imediatamente conheceu o horror e a traição, conforme previra sua madrinha. Em meio ao desespero, e tentando salvar-se do desamparo, concordou, por fim, em se casar com 'o animal mais asqueroso que existe sobre a Terra' - 'o odioso Urubucaru'. Após a cerimônia de casamento, já na noite de núpcias, a pobre princesa preta não conseguia conter o choro: não por causa da feição deformada de seu marido, e sim porque ela nunca mais seria branca. 'Eu agora perdi todas as esperanças de me tornar branca', lamentava-se nossa heroína em frente a seu não menos desafortunado esposo. Nesse momento algo surpreendente aconteceu: 'Rosa Negra viu seus braços envolverem o mais belo e nobre jovem homem que já se pôde imaginar, e Urubucaru, agora o Príncipe Diamante, tinha os meigos olhos fixos sobre a mais alva princesa que jamais se vira'. Final da história: belo e branco, o casal conheceu para sempre 'a real felicidade'.

Cena de A Princesa e o Sapo, da Disney

Quem conta um conto, aumenta um ponto. Se o dito é verdadeiro, nesse caso a insistência na idéia de branqueamento, o suposto de que quanto mais branco melhor, fala não apenas de um acaso ou de uma ingênua coincidência, presente nesse tipo de narrativa infantil, mas de uma série de valores dispersos na sociedade e presentes nos espaços pretensamente mais impróprios. A cor branca, poucas vezes explicitada, é sempre uma alusão, quase uma bênção." *


(*) trecho do texto Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade, de Lilia Moritz Schwarcz (1998, pp. 174-76)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Life is allright on the Rhine

De volta ao quarto, e de volta a janela cuja paisagem decidiu-se pela estaticidade dos prédios intermináveis onde só o que muda de lugar é uma luz que se acende e outra que se apaga. Estranho pensar que embora haja movimento de passagem de pedestres e automóvies ou lotações, veículo de carga levando pessoas sabe se lá pra onde, os prédios não se movem. Fiz um lanche que antecederá a possível noite comemorativa e a impressão do queijo ter caído no chão, logo percebo ter sido o guardanapo pelo movimento demasiadamente mais lento de queda em relação a uma fatia de queijo,e nem preciso saber de física, não, embora aquela memória da faculdade de engenharia e arquitetura permaneça ali, com certeza o melhor cappuccino que já provei, ah sim como a memória está ali, até quando diria Ginzburg, será que nossas memórias tornaram-se HDs? Esqueço o pão na torradeira. Todos os dias é a imensidão dos prédios o que vejo, e paro, paro na janela deixando a vastidão me imergir, lembro das leis de Newton. Porque a diferença da cidade grande é que apesar das todas as gentes que te invadem o espaço todos os dias, é que tu continua sozinho olhando a imensidão da janela. É bom sentir que um porco estampado em uma caneca de porcelana fez alguém sorrir, alguém por quem se tem carinho. Postcards from Italy é o que ouço. Talvez um dia mande cartões postais do Reno também. Talvez a vida seja allright no Reno, talvez os dias sejam meus. Talvez os morangos ainda não tenham mofado na geladeira.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

releitura freak do Silmarillion

country-Yavanna sentia muita falta de suas pedras de estimação,
as Silmarils


surge um elfo-arauto-suplicante que diz: tome estas pedras semi-preciosas, são lá dos bosques do meu vale

country-Yavanna, indignada, ameaça o elfo: NÃO TENTE ME ENGANAR COM PEDRAS SEMI-PRECIOSAS, SEU SEMI-ELFO!

o elfo diz: ou tu pega isso e pára de chorar ou vou te dar motivos reais pra chorar, country-Yavanna!

encabulada, country-Yavanna parece aceitar a oferenda do elfo-arauto-suplicante...

mas era apenas um truque feminino! country-Yavanna roubou as Silmarils e assassinou o pobre elfo, que só queria que sua tristeza tivesse fim

a sós consigo mesma sobre o cadáver do elfo-arauto-suplicante, country-Yavanna admite: agora sou uma mulher, não preciso mais de pedras para me entreter



starring
Fabiane C. as country-Yavanna
&
Elfridez da Leña as elfo-arauto-suplicante

terça-feira, 23 de novembro de 2010

aos amantes de gatos espaciais


Temple of the Cat
(Ayreon)

"It is the 8th century. I am a Mayan girl heading for the Jaguar Temple in Tikal on the
central American continent."

[Jacqueline Govaert]

Shine down on me, Sun of the Underworld
Set me free, chase away the night
Proud Jaguar, king of the Mayan Gods
Shining star, light up the sky

And guide me to the Temple of the Cat

Heart-of-Sky, Maker and Hurricane
Mighty eye, harvester of life
We were born solely to speak your name
Bring the dawn, we'll praise the sky

Here inside the Temple of the Cat

Upon his throne the High priest addressed the crowd
Now carved in stone his holy name
Beads of jade adorn his cotton shroud
His silvery blade on a golden chain

He lies here in the Temple of the Cat, dead
He will rise again from the Temple of the Cat

domingo, 14 de novembro de 2010

Where is my mind...?



Ooh, stop.

With your feet on the air and your head on the ground,
Try this trick and spin it, (yeah) yeah,
Your head will collapse but there’s nothing in it,
And you’ll ask yourself:
“Where is my mind?” x3

Way out in the water,
See it swimming?

I was swimming in the Caribbean,
Animals were hiding behind the rocks,
Except the little fish,
But they told me this is where it’s gonna talk to me honeybunny:
“Where is my mind?” x3

Way out in the water,
See it swimming?

With your feet on the air and your head on the ground,
Try this trick and spin it, yeah,
Your head will collapse but there’s nothing in it,
And you’ll ask yourself:
“Where is my mind?”

Way out in the water,
See it swimming?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Hope Leaves



In the corner beside my window
There hangs a lonely photograph
There is no reason
I'd never notice a memory that could hold me back

There is a wound that's always bleeding
There is a road I'm always walking
And I know you'll never return to this place

Gone through days without talking
There is a comfort in silence
So used to losing all ambition
And struggling to maintain what's left

There is a wound that's always bleeding
There is a road I'm always walking
And I know you'll never return to this place

And once undone, there is only smoke
Burning in my eyes to blind
To cover up what really happened
And force the darkness unto me

sábado, 23 de outubro de 2010

Salvo e longe

Junto com o vento dos campos ao lado daquele mesmo rio, despertou a chuva;
e o vento se fez ouvir.

Pode ser que estas não sejam as palavras que devessem estar escancararadas como se nada fossem numa página de letras pretas sobre o branco, mas entre estas margens brancas parece

que há todo o espaço – até para as coisas escuras e mofadas dos porões labirínticos.
quem eu queria ser é aquele no meio de todos
que de repente sai e some até o dia seguinte sem falar nada, esse que não sabe sobre os
porquês e sobre como se chega mais perto; ou
queria eu ser previsível e tributável, comedido, interessado, opaco?
Passando por pessoas que só estão de passagem pelas ruas cinzentas de um dia chuvoso, me pergunto: teriam elas tido tempo para se despedir dos pedaços de si que deixaram por aí
(pedaços para cada um que não amaram por inteiro, -pedaços para cada lugar ao qual não pertenceram) ou
perderam os pedaços e sequer perceberam, preocupadas em fugir sem perder tempo e agora - agora não lembram nem para onde iam nem por que fugiam? ou por quem?

Passei alguns anos imaginando o se que poderia ter sido,
imaginei se as coisas que aconteceram acontecessem hoje se daria certo. Julguei-me salvo longe do lugar de onde fugi – aquele chão de cimento que já não tenho mais sob os pés – mas e
por que eu, salvo e longe, ainda sonho todos esses ses?

Às vezes basta parar. Às vezes é preciso voltar.
Eu precisei voltar e ver o quanto estava preso àquele chão de cimento e como sempre estaria.
Mas para ver tive que furar meus olhos, e vi a escuridão e o sangue que ainda fluía quente do coração cansado. do calor do peito veio o azul e a luz do sol e um mundo criado da música.
Tateei pelas pedras com as mãos esfoladas até aprender a enxergar através da escuridão, e era feio por onde andei. mas fora do caminho encontrei as pessoas bonitas que vivem nas sombras.
Voltei para saber dessas coisas. Às vezes é preciso.
Mesmo tendo andado pelos lugares mais imundos, tendo transbordado de vômito as pias mais brancas, tendo visto através de todos que vi,
mesmo esse corpo que passou por tudo isso, que às vezes parece mal servir aos meus anseios por tudo, ainda assim, com esse corpo e essas marcas sou por dentro o que sempre fui – mas não quero mais enxergar através de espelhos
por isso furei meus olhos.

O vento soprava enquanto o espantalho sucumbia esfacelado sobre o campo invernal.

Perfect Day by Lou Reed



Animação: Asbjorn Tejdell